"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registo."
C.L

17 de Fevereiro de 2012

O banho


Está ainda deitada quando ele telefona. A voz dele provoca-lhe descargas eléctricas no corpo. O timbre com algum sotaque tem um efeito catalisador nas emoções contidas, guardadas, secretas.

- Onde estás? 
- Na cama, ainda. A preguiçar... 

Na realidade estava a pensar na ultima sms dele...No poder dum conjunto de palavras, frases certeiras de encontro ao coração. São especiais os homens que sabem o caminho para o coração das mulheres. Sem lhes terem ainda descoberto o corpo. Chegam-lhes à alma num instante, a rasar a carne ainda firme de desejo, rente ao pescoço, onde se debruçam para sussurrar promessas que hão-de cumprir.

Concentra-se na voz dele e quase não ouve a conversa, vai respondendo, começando a sentir uma excitação crescente e não hesita em acariciar-se quando ouve:

- Toca-te para mim...

Há uma musica de fundo, que acompanha os gestos ritmados, de início, lentos, exploratórios, depois mais apressados. O rosto inflamado, olhos fechados, imagens que se materializam....Ele está ali, percorre-lhe o corpo com a língua, desce-lhe muito devagar a barriga...

… Está a sair do banho e o espelho devolve-lhe uma imagem que lhe agrada. O corpo maduro, ainda musculado nas pernas, os ombros num arredondado suave, braços finos. O cabelo molhado, que parece ainda mais, curto, confere ao rosto um ar quase infantil.
Veste o roupão, os seios despontam entre a abertura, enquanto se penteia e um sorriso abre-lhe o rosto.
Sente um abraço e duas mãos que lhe acariciam os seios. Ele está mesmo por detrás dela, ampara-a com o seu corpo alto, tão alto, que lhe consegue beijar os cabelos revoltos, o queixo dele sobre a cabeça dela, olhos postos no espelho, dois corpos num momento ímpar de sedução mútua.
Deixa-se ir de encontro ao corpo dele, abandona-se às suas mãos que lhe fazem deslizar o roupão, lentamente, os ombros semi nus, os seios que espreitam...
...A respiração dele confirma a excitação que lhe sente. Sabe que ele é sensível ao odor da sua pele, ainda humida e pede-lhe que lhe passe o creme no corpo, que funciona para ele, como um afrodisíaco.
Enquanto ela escolhe o creme, ele beija-lhe o pescoço, a barba a provocar-lhe uma excitação diferente, encosta-lhe o sexo duro nas nádegas, roça-a, passeia-lhe o corpo com as mãos treinadas, e num gesto inesperado, repentino, puxa-lhe a cabeça para trás, pelos cabelos que mantém presos, até a conseguir voltar para ele, fazendo-a descer, mamilos nas coxas dele, até ao sexo erecto, que ela segura, primeiro delicadamente, depois com mais energia, pára, recomeça, brinca com a língua, suga-o, numa pressa em que sente que os dentes lhe provocam algum desconforto, ele retrai-se, diz-lhe qualquer coisa, mas as mãos nos cabelos dela tapalham-lhe os ouvidos, não escuta, continua numa pressa que o excita, apesar da dor, ou talvez pela dor a excitação aumente, sente que ele está quase a explodir, adivinha-lhe a vontade, e abranda o ritmo, repete a brincadeira da língua, os lábios suaves em carícias indizíveis.
Então, ele afasta-lhe a boca, encaminha-lhe as mãos para o sexo que quase duplicou de tamanho e diâmetro, puxa o roupão que acaba por a expor nua, seios em desafio, numa espera do líquido que jorra , morno, leitoso, o creme perfeito com que ele a massaja.

9 de Fevereiro de 2012

Erotic dream




Esperava-o sózinha. Apesar de zangada com o namorado, sente que não podia defraudar o amigo com quem tinham combinado uma "ménage MFM".
Nem sabe como reagirá o amigo, que há tanto tempo a desejava. Ele tinha-lhe confessado que jamais imaginaria que ela lhe tivesse proposto tal coisa, mas estava excitado e perguntava frequentemente, quando aconteceria.
Ela decidiu que seria naquele dia. Telefonou ao amigo para ultimar pormenores. Notou-lhe o contentamento e sentiu-se vaidosa apesar da dor da saudade. Mas o namorado tinha sido muito injusto e ela, agora mais do que o gozo da experiência, queria vingar-se, magoar o namorado, fazendo-lhe saber que o pacto que tinham feito, ela o seguiria, mesmo sem ele.
Invadiu-a uma nostalgia, ao mesmo tempo que uma raiva surda, a impelia a uma noite de sexo com outro homem, só para se sentir vingada, dum amor não comprendido. Estava vestida com um conjunto preto negligée e string , rendado, comprado de propósito para a ocasião. Irritada, entre o sentir-se magoada e ainda atraída pelo namorado, sentia uma excitação nova, intensa e urgente em ser satisfeita.
O amigo apareceu mais cedo que o combinado, enquanto ela permanecia numa indolência de abandono à musica que enchia o apartamento.
Abriu a porta, e um odor agradável despertou-lhe os sentidos. O amigo olhava-a maravilhado, incapaz de se mover, com o sorriso nos olhos rasgados pelo apetite.
Ela tocou-lhe ao de leve na mão, um toque desajeitado pelo sentir envergonhado de menina travessa. Ele avançou então, abraçando-a com força, encostando-a à parede beijando-lhe ávidamente, os cabelos, o pescoço, os seios, a barriga, voltando a subir para um longo e sufocante beijo na boca.
Enquanto ela tentava respirar, ele fechou a porta com a ponta do pé, num gesto de cinema, enquanto caiam juntos na cama, afundando-se no edredon, numa ânsia de pele na pele.
A roupa dele voou com a ajuda dela, beijos intervalados com a busca de melhor posição, edredon afastado, pernas desalinhadas, misturados sabores e odores numa procura desenfreada.
Saciados pelos beijos que eram o princípio sem fim, ele está sobre ela, numa posição dominadora que lhe agrada, sentindo-se protegida. É notória a excitação de ambos, as coxas de ambos humidas pelos fluídos incontidos, mas ele pára e olha-a fixamente. Ampara-lhe a cabeça, apanhando-lhe os cabelos que puxa ligeiramente obrigando-a a descer até ao sexo túrgido dele, ergue-se um pouco fazendo com que os seios firmes e redondos lhe abracem o sexo que escorrega até á boca dela.
Geme de gozo quando lhe sente os lábios cálidos, a lingua exploratória, as mãos que alternam com movimentos experientes, sincronizados, com o prazer prestes a explodir.
Penetra-a com os dedos enquanto a sente contorcer, sem contudo lhe largar o sexo cada vez mais próximo de querer rebentar.
Confundem-se os gemidos, tocam-se sexos, trocam-se liquidos, amparam-se vertigens, gritam em simultâneo, atingem o clímax ao mesmo tempo.

Uma musica continua em replay: "I can't take my eyes off you".

Ele olha-a tão intensamente que ela estremece. Os sons emitidos durante a luta de corpos, agora suados, deram lugar a um silêncio de olhares calados, tão profundos quanto a penetração até á alma. De cada um.
Ele vira-a suavemete, ela entende, fica de gatas e quando ele a penetra por trás, grita de dor e prazer, nos minutos que se seguem até atigirem o orgasmo.
Ele cai sobre ela, ficando assim, até a musica terminar numa mistura de corpos e almas, indescritível, apenas sentindo cada um o coração do outro, numa satisfação completa.
Então ele quebra o silêncio dos olhares que tudo dizem, afasta-lhe o cabelo dos olhos e simplesmente diz-lhe: amo-te.
Ela estremece, entre um arrepio de contentamento e um receio da memória que lhe traz esta palavra: o namorado dizia-lhe isso vezes sem conta, ela brincava, respondendo-lhe que ele não sabia o que era o amor.
Desvia o olhar para que ele não perceba que pensa noutro, no namorado que não sabia o que era o amor.

E uma lágrima desce-lhe suavemente do olhar.



3 de Fevereiro de 2012

Nine Million Bicycles






Viajamos a 220 Km à hora. Velocidade proibida, também proibida a tua mão entre as minhas pernas, numa exploração nervosa. A saia levantada, pernas juntas, afastadas o suficiente para a tua mão hábil.
Acaricias-me as coxas, os joelhos, em movimentos experientes de massagem provocante. Sobes aos meus seios, redondos, duros pelo prazer.
Toco-te ao de leve, só atentar perceber o teu estado de excitação. Numa escala de 0 a 10, direi que estás quase a rebentar a escala. Continuo a acariciar-te, puxas-me a cabeça para o teu colo.

É dia, ainda. Nunca o tínhamos feito de dia. Olho os outros carros, um pouco receosa, num pudor que te agrada, por ser genuíno.

Mas tu não páras de me tocar, encontraste o ponto e não desistes, porque o sentes crescer, rijo, apesar da humidade excessiva, sinal da minha excitação incontida.

Grito, numa explosão de quase desmaio, ao mesmo tempo que ultrapassas um camião TIR.

Recosto-me. Passas os dedos pelos teus lábios e beijas-me. Fico com sabor a mim.

Continuo a acariciar-te e começas a contorcer-te no assento. A música acompanha a velocidade. É lusco-fusco e desejo que a noite caia, para te poder retribuir o prazer.

Mas tu estás impaciente. Mergulho no teu colo, brinco um pouco, o que te faz desesperar, mas que te agrada, acaricio-te um pouco e a minha boca devora-te, com a língua insinuante irrequieta, ora dura, ora mole, engulo-te, sinto-te na garganta, orientas-me os movimentos com a tua mão na minha cabeça, a cadência que desejas.

Sinto-te inconstante na condução, as tuas pernas em tensão, acelerador, travão, embraiagem mudanças...

É quase noite. Procuramos um espaço mais reservado. Não queremos mesmo ter um acidente, como ia acontecendo da última vez, em que no momento do orgasmo, carregaste o pé a fundo e...

Encontramos uma descida para uma praia fluvial. Excelente retiro que desconheço, mas a aventura é também a nossa excitação.

O carro vai mesmo até ao rio. Uns carvalhos escondem-nos. Não há ninguém por perto.
Puxas-me para ti e beijas-me como há muito não o fazias, com violência e paixão. Sinto o sabor do sangue que nem sei se é meu ou teu.

Queres que eu suba para o capot, mas o carro está quente (justifico-me, tenho é receio que nos vejam) prefiro ficar dentro do carro.

Os teus beijos são de uma violência da qual não tenho memória. Mas também não estávamos juntos há tanto tempo que...

Tocas-me, mas eu estou satisfeita, tenho prazer em dar-te prazer.

Começo ao de leve por tocar o teu sexo com os meus lábios, depois a língua, em movimentos circulares, enquanto te acaricio com as mãos. Estás cada vez mais excitado, o sexo túrgido, inflamado de prazer. Brinco, dando pequenas batidas na minha boca, estendo a língua para o receber nas investidas, engulo-o, chupo-o, não páro.

Sinto-te a respiração apressada, sibilante, gritas para que eu não pare e repetes: ‘querida, oh, querida, tão bom.’

E eu adoro, ter-te à minha mercê, adoro o poder de controlar o teu prazer, adoro quando te vens na minha boca e te deixo exausto, frágil, sem reacção.

Dás-me a mão. Olhas-me. A música que não tinha parado (escolhes muito bem os cd's) passa agora "Nine Million Bicycles" de Katie Melua.

Contemplamos o rio. O silêncio é quebrado pela voz deliciosa desta cantora. Perguntas-me se quero sair, passear um pouco.

Quero, claro. Passear contigo, abraçada, de mão dada, encostada a ti, num só.

Mas tenho pressa de voltar. E se alguém nos vê ali?

1 de Fevereiro de 2012

I was born to love you



O Sol queima
a pele suada
beijada
em cada carícia
desliza
na areia rugosa
de uma praia qualquer
de um lugar sem lugar
de um tempo sem tempo.

Lambes
cada gota de suor
aspiras
o sal que cristaliza
os grandes lábios
pequenos lábios
corpo mareado
de
sôfregos solfejos
arquejos
suspiros profundos
gritante
mutante
em simultâneos clímaxes.

Apagamos
o
tempo
em que nós
éramos apenas
tu e eu.

Entras em mim
fecho os olhos
as pernas
as mãos
ofereço-te os seios em flor
e
abandono-me à maré
que toca o piano
na praia deserta.


29 de Janeiro de 2012

Tonight


Foto de Jean Loupe Sieffe




Chegaste antes da hora prevista (ou fui eu que me atrasei?) e parecias sereno, apesar do teu olhar penetrante (aquele que me trespassa a alma). Vagueaste um pouco pelo parque de estacionamento do aeroporto, como se não te lembrasses onde tinhas deixado o carro. Mas sei que foi para me impressionar, porque sabes que acho apaixonante esse teu ar de falso distraído.

A excitação era tanta, que só quando estávamos sentados nos apercebemos que não nos tínhamos cumprimentado. Beijámo-nos numa procura de esquecimento. A tua língua exploradora e insistente, dura e envolvente, não desistia. Perdi o fôlego antes de ti, o que sei te dá um gozo especial. Senti-te a excitação crescente numa intumescência difícil de disfarçar. Descansaste a mão no meu joelho, num gesto familiar que te relaxava.
Depois de tantas horas de voo, achei que quererias ir directo ao apartamento, tomar um banho a dois (eu tinha deixado tudo preparado) e adormeceres nos meus braços.

Enquanto conduzias (já tinhas desistido de me pedir para que eu o fizesse) e me acariciavas o joelho, arriscaste, num tom que não parecia ser uma pergunta: Antes de irmos para casa, vamos hoje a lugar diferente; um motel que tanto querias conhecer. Olhei-te e não precisei de dizer nada. É bom quando os olhares dizem mais do que as palavras.

25 de Janeiro de 2012

Noites longas ( I Can't take my eyes off you )


yang-wang

robe de cetim deixava-lhe um ombro a descoberto, onde uma alça fina da curta chemise de nuit enfeitava o arredondado e elegante ombro, adivinhando um colo suave, apesar da opulência das formas.

Há muito que queria realizar esta fantasia, em comum acordo com o namorado, que tudo permitia para a satisfazer. Mas ela sabia que também ele queria descobrir novas sensações, numa busca do tempo perdido, em que se cresce aceleradamente, sem tempo para degustar o que a imaginação avança e o corpo exige.


Olhou-se ao espelho e sentiu-se poderosa. Um colar de pérolas era o único adorno que condizia com o brilho do olhar e uma maquilhagem suave, indistinta.

A pele suave, deixava que o cetim escorregasse naturalmente, ao mínimo movimento. Pairava no ar um aroma do perfume preferido dos dois. Os cabelos, ainda ligeiramente húmidos, espalhavam-se no corte incerto , numa rebeldia peculiar que lhe agradava transparecer.

Sentou-se na cama, encostada à cabeceira. Escutava Wagner (Preludio de Tristão e Isolda) enquanto os seu pensamentos vagueavam pelo que estava prestes a acontecer. Não sentia hesitação. A curiosidade excitava-a e sentia-se húmida. Desejava que não demorassem a chegar, o namorado e o amigo que ela não conhecia.

O ambiente, numa penumbra estrategicamente iluminada, estava a seu gosto, pois precisava de se sentir segura e de estimular os homens com quem ia passar a noite. Um ligeiro receio de que o namorado sentisse ciume acelerou-lhe os batimentos cardíacos, mas depressa sossegou, pensando no gozo que iria proporcionar. E ter.

A chave rodou na fechadura e um homem entrou. Era bem parecido, agradável, mas parecia pouco à vontade. Ela esboçou um sorriso, para quebrar o gelo, mas o homem continuava parado, em frente a ela, parecendo não saber o que fazer.

Então ela levanta-se, deixando que o robe caia aos pés dele e toca-o levemente nos dedos, fixando-o nos olhos, em silêncio. Num passe de mágica, ele envolve-a num beijo profundo, explorando-lhe o pescoço, as orelhas, os lábios, onde se demora.

Ela retribui, mordiscando-o, as mãos passeando pelo corpo, detendo-se no volume entre as pernas, que habilmente toca e esfrega, tornando-o erecto.

Ele parece apanhado de surpresa, mas entra no jogo de quem despe quem, num emaranhado de pressa, ficam os dois nus, sobre a cama, a boca dela no sexo dele e ele a sugar-lhe os seios, rijos, a apontarem para o sexo dele, exigindo-o entre eles, num roçar devagar mais depressa, que lhes arranca gemidos e exsudações.

De repente ela pressente uma presença, quase imóvel, no sofá de canto. O namorado está como voyeur a masturbar-se.

A um gesto dela, mais excitada por aquela visão, avança para eles, fazendo com que ela engula o sexo que vai ficando cada vez mais rijo. O namorado toca-lhe os mamilos e ela vem-se em gritos sucessivos que aceleram o orgasmo do amigo. Sente o líquido quente nas nádegas, a escorrer, enquanto o namorado se vem na boca dela.

Insaciável e curiosa do que terão eles combinado (adora surpresas) e deixa-se cair na cama, enquanto os dois homens trocam um olhar cúmplice e se posicionam para sequências de novos prazeres.

Deitam-se ao lado dela, ela no meio, numa sandes humana de corpos vibrantes de desejo.
Acariciam-lhe as coxas, os mamilos, quatro mãos e ela nem quer saber quem é quem.
Beijam-lhe o pescoço, a boca, o sexo. Os dedos dos pés. Ela masturba-se e pede-lhes que façam o mesmo. Assim que os sente túrgidos, faz com que a penetrem à vez.

O namorado quase não a reconhece. Sabe das potencialidades dela, mas onde está a menina de olhar doce, que se entrega em ternura e amor? Agora descobre uma mulher quase dominadora, que se entrega ao sexo, como se não houvesse amanhã. Não lhe desagrada, antes pelo contrário e está disposto a fazer tudo o que ela queira.

Ela, sentindo aproximarem-se os clímaxes deles, puxa-os para si e vai lambendo, mordiscando, chupando, os dois sexos. Junta-os, esfrega-os um no outro, massaja-os, saliva,e suor tencionando que se venham ao mesmo tempo em jorros na sua cara, o que acontece mais depressa do que esperava.

Caiem os três exaustos na cama. Desta vez o amigo fica entre ela e o namorado. O amigo acaricia-lhe as costas, as nádegas, mordiscando-a e empurrando-a com o sexo. Ela estende a mão e masturba o namorado. Então num acontecimento inevitável, embora não previsto, o amigo penetra-a por trás, enquanto o namorado penetra o amigo. Ela toca-se e gemem num ritmo sincronizado gritando ao mesmo tempo, quando novo orgasmo acontece.

Ficam deitados, as respirações ofegantes, numa satisfação partilhada.

O namorado passa para o lado dela e o amigo segura-lhe o sexo , começando a masturbá-lo.

Ela está encantada e excitada com aquela visão. É a primeira vez que presencia tal. Vai tocando o namorado, com receio que ele reaja mal, pois é muito antiquado e a sua mentalidade não admite certas coisas. Mas ele vê-a tão excitada, que se deixa masturbar pelo amigo, ao mesmo tempo que ela o acaricia e lhe mordica as costas.

A um gesto do namorado, senta-se no sexo, entretanto rijo, do amigo e deixa que o namorado se venha nos seus seios. Quase ao mesmo tempo, o amigo sai dela e brinda-os com um jacto de esperma abundante.

Deitam-se juntos, ela no meio, o namorado a abraçá-la. O amigo parece abandonado e ela vira-se para ele, de lado, pousando-lhe um braço no peito.

Adormecem juntos, numa cumplicidade difícil de explicar. Mas que os unirá para sempre.

Em segredo.

19 de Janeiro de 2012

Enquanto (TE) espero

Foto de Jean Loupe Sieffe





A tua espera exaspera a lentidão com que o tempo passa.

O que vale é que este cadeirão de couro me (re)conhce a pele. O escritório vazio. O aviso sonoro da chegada de um fax. As persianas semi-abertas.

Dispo-me. Olho perversamente o prédio em frente. O frio enrijece os meus mamilos. Toco-me devagar, provando-me. Sabor de ti. Ainda. O pubis liso, macio, apenas um risco de pilosidade que afina o triângulo. Sinto que alguém me observa. Entrelaço as pernas, toco-me numa exploração do clítoris. Encontro-o e massajo-o sentindo-o crescer.

Em movimentos sincopados de um martelar firme e decidido, o clítoris emerge, as faces ruborizam-se, a respiração acelera.

Olho em frente. Um vulto recorta-se na  obscuridade, na janela do outro prédio. Tem uma câmara. A rua é estreita. Parece que está junto a mim. Estou tão excitada que não me importa o voyeur. Continuo, acariciando o bico dos seio, túrgido, sensível ao toque.

Utilizo o truque de suspender a respiração e sinto aproximação do orgasmo. Chupo os dedos, introduzo-os bem no fundo de mim. Escorre por entre as minhas pernas, um leite adocicado. O coração prestes a explodir.

Em frente o homem filma e começa a tocar-se. Primeiro, sobre as calças, depois abre o fecho e um sexo firme aparece e desaparece nas mãos de mestre. A câmara sem riscos de cair. Talvez a imagem trema. Eu tremo. Não aguento e jogo comigo. Paro. Mas não resisto à imagem do esperma jorrado no vidro da janela. Grito quase ao mesmo tempo em que metes a chave à porta.

Nem tenho tempo de fechar as persianas. Estás à minha frente. Antes que digas alguma coisa, puxo-te para mim e deixo que me bebas. Para preservar o cadeirão.

Enquanto me penetras, olho o vulto que desaparece.

Ao mesmo tempo em que te vens, em suaves sobressaltos. Espasmos que me contagiam e me levam a outro clímax.